Periodicidade: Diária

12/7/2022

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RECORDANDO O CIRCUITO CICLISTA DE RIO MAIOR


Um dia destes estive em Alpiarça, bem perto da sede do Clube Desportivo “Os Águias”. O Clube fez, recentemente, um século de vida. Foi, aí, que me surgiu a ideia de escrever este texto.

Tive a sorte de ver os dez primeiros circuitos ciclistas de Rio Maior. Sobre essas vivências deixo aqui estas notas. Lembro-me bem do colorido das camisolas, do barulho das bicicletas, do ar pasmado das pessoas que podiam ver ao vivo os seus ídolos. Para um miúdo como eu era, na altura, havia naquela ambiência, naquela ruralidade saudável e genuína, um grande fascínio que as atuais novas gerações não conseguem compreender. Naquele tempo, o ciclismo era quase o desporto rei, já que os grandes clubes tinham esta modalidade.

A equipa de Alpiarça, com as suas camisolas brancas, trouxe cá grandes atletas: Lima Fernandes, (ganhou em 1962); José Manuel Marques e António Pisco (em 1960 e 1965, respetivamente).

Rio Maior teve uma importância enorme na divulgação da “corrida de bicicletas”, como dizia o povo ou a velocipedia, como opinavam os entendidos na matéria.

Nos anos sessenta e setenta do século passado, vinha muita gente de todo o lado ver a prova, nomeadamente, dos distritos de Leiria, Santarém e Lisboa. Recordo-me do Sangalhos Desportivo Clube que por cá passou, várias vezes. Os bairradinos eram azuis e tinham uma equipa de luxo. Trouxeram Alves Barbosa e Antonino Baptista, uma dupla famosa. Barbosa era um mito, adorado pelo povo. Ficou em 10º lugar na Volta à França, uma façanha para a época. Venceu o circuito riomaiorense, em 1959. Homem culto, treinador do Benfica, jornalista na área e professor de cursos de treinadores de ciclismo. Venceu a Volta a Portugal por três vezes. Quem com ele conviveu, classifica-o como uma pessoa de fino trato. Fez uma incursão pelo cinema, sendo protagonista do filme “O Homem do Dia”. Ele e Joaquim Agostinho foram os maiores ciclistas portugueses de sempre.

O Futebol Clube do Porto apresentava sempre equipas de luxo: Mário Silva, (venceu o C.C.R.M., em 1966); Joaquim Leão, Sousa Cardoso e José Pacheco que ganhou o circuito, em 1961.

Atletas de eleição eram, também, os do Sporting, como Leonel Miranda, Joaquim Agostinho e João Roque.

O Algarve esteve, também, muito bem representado com Vitor Tenazinho, do Louletano, Jorge Corvo (o eterno 2º na Volta a Portugal) e Sérgio Páscoa do Tavira que venceu a prova, em 1964 e 1968.

Brilhante era a equipa do Benfica com Henrique de Castro (venceu em 1958); Peixoto Alves, Francisco Valada e José Anastácio, entre tantos outros.


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A preservação da memória é muito importante e, por isso, recordo estes factos. Ficaram por contar outras “estórias”, como por exemplo, o facto da equipa de Futebol Clube do Porto chegar à vila na véspera e, por cá, pernoitava. Onofre Tavares, (1927-2022), o seu treinador, era um grande contador de histórias e deliciava quem o ouvia. A alguns riomaiorenses deve-se a “ousadia” de terem criado esta prova.

Creio que já todos desapareceram. Não os nomeio, já que correria o risco de me esquecer de algum nome.

A minha homenagem a esses homens.

Louvo Ricardo Rosário que no livro “Feira de Setembro – 300 anos”, recentemente editado, aborda de forma muito positiva, o tema. Talvez, um dia, alguém possa escrever um livro sobre o assunto. x

O Circuito Ciclista de Rio Maior pertencia ao calendário oficial da Federação Portuguesa de Ciclismo e aparece referido na biografia dos atletas vencedores do mesmo, e também, na história da modalidade dos vários clubes. Esta prova foi, sem dúvida, uma forma de afirmação territorial, como sucedeu com outras localidades: Bombarral, Malveira e Alenquer.

Nesse tempo, por um dia que se renovava ano após ano, Rio Maior era a capital da velocipedia portuguesa. Se tivesse perdurado no tempo, o circuito não teria, hoje, o mesmo impacto. A realidade social, para o bem e para o mal, já não é a mesma. Tudo tem o seu tempo.

A história do ciclismo português e, consequentemente a prova riomaiorense, está perpetuada em três espaços museológicos. Estou a referir-me ao Museu do Ciclismo Joaquim Agostinho, em Torres Vedras, o Museu do Ciclismo de Caldas da Rainha e o Museu das Duas Rodas, em Sangalhos, sendo este último o único que ainda não tive a oportunidade de conhecer.

Acodem-me à lembrança muitos outros dados, mas fico por aqui, já que a crónica vai longa.

Por João Maurício


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