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PORTO DE MÓS: IDOSA INVISUAL É MESTRE NA ARTE DO CROCHÉ


Clementina da Silva Vieira, também conhecida por “Tininha” completou este ano a sua nonagésima primavera. A sua visão foi debilitando com a velhice e em 2006 perdeu totalmente esta capacidade. Mas isso não a impediu de continuar a fazer uma das coisas que mais gostava: croché.

Tinha apenas cinco anos quando a sua tia e a sua mãe a ensinaram a fazer renda a partir das revistas. Cadeiras, vasos, flores e barcos foram algumas das configurações que levava consigo na memória quando se mudou para a Santa Casa da Misericórdia de Porto de Mós. “Para quem sabe fazer renda, ela tem uma certa ideia de como se faz e essa ideia fica cá”, declara a rendeira.

Bordar também era uma das suas paixões, porém devido à perda de visão, teve de o pôr de parte e vai fazendo renda enquanto os seus braços assim o desejarem.

Clementina Vieira não esconde a saudade que tem de bordar, tanto à máquina como à mão, para ela e para as pessoas amigas. “Estou a fazer renda e não penso em nada da vida, nada”, declara.

“Tiro uma, tiro duas, tiro três”, demonstra a rendeira enquanto transforma um novelo de linha branca num pequeno cesto. Desde que cegou por completo, percebeu que se através do cérebro idealizar o que está a ver consegue fazer exatamente os mesmos movimentos que faria caso pudesse ver. “Junto mais ou menos paus consoante o desenho que quero fazer” acaba por explicar.


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Para “Tininha” fazer renda é uma espécie de fisioterapia, “não vendo e ao termos de estar sentados o dia todo, só a ouvir a televisão e as pessoas a conversarem, o que acontece é que começamos a pensar em coisas que não devemos e eu assim não” confessa.

A delicadeza que as suas mãos projetam, enquanto faz croché, não enganam quem vê o seu trabalho a acontecer e a tranquilidade que isso lhe traz pois, tal como diz, “estou a fazer renda e não penso em nada da vida, nada”.

Além de estar a fazer o que gosta, a rendeira sente orgulho nas peças que faz. Não se considera uma pessoa vaidosa, mas fica contente por gostarem das peças dela pois é uma coisa que não pode ver, mas que consegue fazer e “apesar de ser uma infelicidade, eu sinto essa felicidade”, finaliza Clementina Vieira, que vai expor os seus trabalhos no Museu Municipal de Porto de Mós entre os dias 14 de agosto e 15 de outubro.


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Periodicidade: Diária

9/20/2020

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