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PAINHO: JORGE ROMÃO VOLTA A EXPOR NA SUA TERRA NATAL


O painhense Jorge Romão regressa à terra natal para mostrar a sua mais recente exposição de pintura, que estará patente de 20 de setembro a 5 de outubro, no Painho (Cadaval). “Fragmentos e Contrastes” estreou em Lisboa, no passado mês, e nela o pintor volta a evocar, entre outros focos de inspiração, a memória das suas origens.

Depois de Ímpetos I e II, mostras que passaram pelo concelho do Cadaval em 2018-19, Jorge Romão está de volta com mais um rol de quadros que vale a pena conhecer de perto.

Desta forma, e segundo palavras de Ana Ilhéu, o pintor «dá continuidade à expressão da sua identidade, simultaneamente bucólica e intensa, balanceando entre a contemporaneidade extraída do seu olhar e a memória das suas origens».

«Há nas telas de Jorge Romão uma conversa com o presente e com a sua história, com a presença dos tons e dos sons, das curvas e dos relevos do Painho e da grande cidade», sustenta a porta-voz, na sinopse da exposição.

A mostra, que inaugura dia 20, pelas 15h00, ficará patente ao público, das 15h00 às 20h00, até dia 5 de outubro, no Espaço Sr. Serafim (Rua Alferes José Ventura Rodrigues, nº 36, no Painho (Cadaval).

Uma ruralidade que se impõe sem aviso

«Embora Fragmentos tenha tido como inspiração os azulejos que revestem o casario de Lisboa, a minha ruralidade impôs-se-me e trocou-me a volta no traço e nas cores», refere Jorge Romão.

«Onde era suposto haver apenas anjos, flores estilizadas ou puras formas geométricas, foram surgindo troncos de árvores, cepas retorcidas, molhos de vimes ou os afagos do vento nas searas», explica.

Contrastes, por seu turno, pretendia contrariar essa tendência, tendo como mote «a criação de ambientes improváveis e mundos possíveis, em parte inspirados nas narrativas de autores como Italo Calvino ou Murakami». «Contudo, teimosamente, o cheiro da terra molhada e da erva-doce, os charcos e outras memórias de infância voltaram a impor-se, acabando por contaminar os universos paralelos que pretendia trazer à presença do olhar», declara o artista.

«Não podia, pois, deixar de trazer esta exposição ao Painho, nem desperdiçar a oportunidade de o poder fazer num lugar de afetos e cumplicidades, que faz parte da memória coletiva da aldeia: a antiga loja do Sr. Serafim».

Para além de quadros inéditos, a mostra contará, segundo o autor, com um ambiente evocativo da época, através de «imagens, sonoridades e objetos que faziam parte do quotidiano do Sr. Serafim, ou "menino Serafinzinho", como era carinhosamente tratado por parte da população», aponta.

Em conformidade com as orientações da DGS relativamente à COVID-19, informa o pintor que o espaço estará higienizado com produtos certificados, sendo obrigatório o uso de máscara e higienização das mãos.


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Nota biográfica do autor

Jorge Romão nasceu em 1959, no Painho, aldeia do concelho do Cadaval, residindo desde os anos 80 em Lisboa, no bairro histórico da Graça. É licenciado em Filosofia, pela UNL, e integra, desde 1987, a Administração Pública, onde exerce funções de intervenção social na esfera da Justiça.

Como nota de curiosidade, Jorge passou a infância no campo, onde aprendeu a plantar batatas e a mondar o trigo, tendo também, nesses idos tempos, guardado rebanhos e pisado uvas no lagar. Na juventude, chegou, inclusive, a dançar num rancho folclórico.

É autor do conjunto de peças escultóricas “A Caixa – 10 anos de vigilância eletrónica em Portugal”, que expôs em 2012/2013 no Espaço Justiça, em Lisboa (vídeo no Youtube, com o mesmo título).

Em 2016 publicou, pela Chiado Editora, o livro “Quando os ciprestes davam laranjas”, onde aborda também as ternas memórias da terra que o viu crescer.

Em julho de 2018 estreou-se na pintura, com a exposição “Ímpetos”, na galeria Arte Graça, em Lisboa (vídeo no Youtube: “Ímpetos – Desocultar a dádiva de outrem”). Está representado em coleções privadas no Reino Unido, Bélgica, Luxemburgo, Dinamarca e Dubai.


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10/1/2020

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