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PACHECO PEREIRA CEDE PARTE DO ESPÓLIO AO FUTURO MUSEU DA RESISTÊNCIA E DA LIBERDADE


A associação Ephemera, biblioteca e arquivo de José Pacheco Pereira, vai ceder ao Museu Nacional da Resistência e da Liberdade, que irá nascer em breve no Forte de Peniche, vários materiais do arquivo de José Pacheco Pereira, por períodos renováveis de cinco anos.

O protocolo com a Direção Geral do Património Cultural (DGPC) foi assinado hoje, 24 de janeiro, na casa do historiador e político José Pacheco Pereira, na Vila da Marmeleira, concelho de Rio Maior.

Pacheco Pereira disse à Lusa que o protocolo com a Direção-Geral do Património Cultural formaliza a cedência de parte do espólio -- "menos de 0,1%" - que foi reunindo ao longo das últimas décadas, dentro do objetivo de "garantir a defesa da memória", em particular, da que está em risco.

"A memória da resistência é uma memória sempre em risco, porque em muitos casos era feita por atos individuais, ações escondidas, publicações disfarçadas e com muito mais dificuldade de se arranjar e se mostrar do que as publicações de quem tinha o poder, neste caso o Estado Novo", disse, no final de uma visita por várias das muitas salas da sua casa na Vila da Marmeleira que acolhem objetos e documentos do arquivo.

O material abrangido pelo protocolo que assinou hoje com a diretora-geral do Património Cultural, Paula Silva, "será agora estudado em função da museologia, da forma como vai ser organizado, da narrativa interior do museu, que tem diferentes fases e diferentes períodos, e depois ficará depositado em Peniche".

Pacheco Pereira afirmou que há já "uma ideia do conjunto de papéis, objetos, documentos, imagens" que irão para o museu, "centrados principalmente na parte inicial do Estado Novo, em parte da propaganda do próprio regime, depois na resistência clandestina, quer do Partido Comunista, quer dos anarquistas, quer depois, mais tarde, dos católicos progressistas e dos grupos esquerdistas".

"A ideia é permitir que quem vá ao museu perceba a ecologia política da época, a enorme violência que se vive num regime que não tem liberdades -- o papel da censura, o papel da repressão, da PIDE (polícia política da ditadura), tudo isso vai estar documentado, nalguns casos com materiais do Ephemera", explicou Pacheco Pereira.

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12/4/2020

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