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OVO DE COLOMBO


Para o bem e sobretudo para a responsabilização de todos nós, uma das grandes mudanças que terá de ocorrer na ressaca deste tempo pandémico é uma mudança profunda no sistema de saúde. Esta forma antiquada e anquilosada de pensar que a saúde não custa dinheiro é apenas uma forma populista de fazer política, (leia-se enganar as pessoas) e não mais que isso. Aliás com grandes custos no sofrimento humano e sobretudo em vidas perdidas.

Sem querer, nem para isso ter capacidades, de entrar em análises técnicas sobre o assunto remeto-me às meras questões do senso comum. Tomemos como exemplo as deprimentes filas de ambulâncias junto das urgências dos grandes hospitais, onde não se sabia o que era e não era urgente, onde qualquer triagem era feita sobre o joelho, numa inconcebível manifestação de terceiro-mundismo tão do agrado da comunicação social, mas penalizadora para o cidadão anónimo e doente.

Há anos que o lobby da saúde impede que os cuidados de saúde primários sejam geridos pelo poder autárquico, entenda-se câmaras municipais. A simples ideia de poder perder privilégios é muito mais importante que a saúde dos portugueses. E isto, manifestamente não pode continuar, porque “pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo”.


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No momento de viragem de sociedade que se aproxima, é do interesse da maioria esmagadora dos portugueses que os cuidados de saúde primários passem para a alçada das câmaras municipais. Poderia chamar aqui uma mão cheia de vantagens, mas vamos ficar por duas:

1. A promoção de uma melhor qualidade de vida e conforto para a população/munícipes, não tendo estes, por tudo e nada, de cair nas urgências dos hospitais centrais, como primeiro e muitas vezes único recurso.

2. A autarquia poderia, LEGITIMAMENTE, usar o seu esforço na área da saúde, como fator de competitividade para a fixação de pessoas na área do seu concelho. Saber que a qualquer hora, do dia ou da noite, existe um serviço na área da saúde ao qual podemos recorrer, sem constrangimentos é, para além de uma comodidade, um bem de valor inestimável.

Evidentemente que muito mais que uma reforma, isto seria um avanço cuja racionalidade há muito se impunha e hoje é candente. Evidentemente que o estado está minado por lobbys tudo farão para “parar o vento com as mãos”, mas é também evidente que “nada é mais poderoso que uma ideia que chega no seu tempo”. E este é o tempo deste “ovo de Colombo”.

Artigo de Opinião de Edgard Carvalho Gomes


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