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OITENTA MIL ANOS…


Há dias gritava um pobre diabo na Assembleia da República, alçado à categoria de ministro, que quando começássemos a “vácinar” as pessoas com mais de “oitenta mil anos” é que iria ser... Uma gralha, obviamente, mas que demonstra perfeitamente este estilo de fazer política aos gritos, em que as palavras tropeçam na língua de pau, tão característico deste Governo e pior, tão do agrado, por ora, dos Portugueses.

Esta forma de fazer política parece mesmo estar a fazer o seu caminho e a constante vozearia chega a impedir que oiçamos os gritos lancinantes do chamado povo, que vai sendo calado em longas filas de ambulâncias, amontoado em camiões frigoríficos ou fazendo fila de espera nos crematórios, onde os gritos doloridos dos que ficam são abafados pelo ronco tenebroso do forno, queimando os que partem.

Depois há ainda aquele povo que no interior pobrezinho, que gostávamos de visitar em férias, irmos de passadiço em passadiço, até encontrar o ti’Zé ou a ti’Maria à volta com as ovelhas, as galinhas e as hortas. Por vezes abeiramo-nos deles, tentando perceber como vivem e fazemos perguntas tolas como: já viram o mar? tem quantos filhos? e vivem longe? E eles respondem com a simpatia dos simples e tristeza dos abandonados. Lá a gritaria da cidade não chega ou chega?


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É verdade que politicamente quem tem alguma coisa para dizer sabe fazer-se ouvir. Porém neste momento tem dificuldades acrescidas porque o país, ou mesmo o mundo, estão transformados, numa espécie de mercado de Santana, onde parece haver um concurso para o grito mais alto, o mais estridente ou o mais tonitruante. Esta gritaria está a impedir que ouçamos quem tem alguma coisa para dizer ou para fazer, porque gritar, como já vimos é fácil!

Este Governo governa aos gritos, a oposição opõe-se gritando, (a que não grita, pensando e bem, que a ser oposição não é um concurso de gritaria) sem que se resolva coisa alguma e em nós portugueses vai crescendo uma onda de revolta surda. Tão surda quanto poderosa. Por ora é o medo que está a vencer, mas chega o ponto em que já não há mais para perder e o medo perde-se também.

Artigo de Opinião de Edgard Carvalho Gomes


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