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Periodicidade: Diária

2/6/2023

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JORNAL DA MARINHA GRANDE NASCEU EM RIO MAIOR


«Em 1962, vem ter comigo um senhor de nome Arsénio Sampaio de Andrade, por indicação do então diretor do Região de Leiria, no sentido de lhe conseguir algum emprego aqui na cidade.

Conversa puxa conversa, ele diz-me que também tem alguma experiência jornalística e que pertencia à Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto.

Inteirei-me dos seus conhecimentos a nível de imprensa e falei-lhe do desejo de vir a fazer um jornal na Marinha Grande.

Entusiasmou-se com a ideia e resolvemos ir um dia a Rio Maior falar com o proprietário da Gráfica Editora para ver que ajuda poderíamos ter. a ideia foi bem recebida. Tentou-se, de novo, a obtenção do tão desejado alvará, sem êxito. A censura não cedia.

Já estava quase sem esperanças, quando, numa conversa na Gráfica como seu proprietário – Sr. Lopes – lhe ia pondo hipóteses de “darmos a volta” ao assunto para conseguir o objectivo desejado, ele se lembrou de uma outra hipótese: - tinha em seu poder um alvará de uma publicação que terminara, a revista de cinema “Celulóide”, da qual era Director Fernando Duarte. Tentou-se, então, porque a via era outra, alterar o título da publicação atrás citada., para “Jornal da Marinha Grande”, com o mesmo diretor, o que, pasme-se, resultou em cheio e dias depois tinha a Gráfica Editora ao telefone aos gritos de contentamento porque tinha conseguido a alteração do título. Tínhamos, finalmente, um Jornal na Marinha Grande!

Uma semana depois o 1º número do Jornal da Marinha Grande estava cá fora, “o que foi para nós uma grande alegria e uma grande ‘bronca’ para os políticos de então”.

Sabemos que grandes indignações chegaram à então Comissão de Censura e ao próprio SNI (Secretariado Nacional de Informação) por terem permitido um Jornal na Marinha Grande, explica.

As notícias normalmente poucas, eram de recolha local. Quanto às fotografias eram um problema. Não tínhamos máquina, mas as que conseguíamos eram em zincogravura (muito demoradas), ou na Gráfica Editora, em Rio Maior, a partir de uma máquina raríssima na altura, que já produzia fotos em chapa de plástico. A revisão é que era um problema – lá tínhamos que ir uma vez por semana, ao fim do dia, a Rio Maior, no velho Wolkswagen do Dr. Luciano Guerra!»

Notas – este texto que, curiosamente, não está muito bem redigido, foi retirado duma entrevista feita a Vergílio Lemos (um dos fundadores do Jornal da Marinha Grande), publicada a 31 de Maio de 2000 pelo mesmo periódico.


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A dificuldade de a Capital do Vidro vir a ter um jornal, tinha a ver com o facto dos governos de Salazar serem tudo, menos adeptos da liberdade de imprensa. A Marinha Grande era, nesse tempo, uma terra onde a resistência à ditadura era enorme.

Comecei a escrever nos jornais em 1964 e, nessa época, quem o fazia sabia das limitações que existiam. Tudo o que era para ser publicado passava pelo crivo da censura. ~

Criar um jornal, antes do 25 de Abril, para quem não fosse da “cor” era muito, mas muito difícil. Quem não fosse “alinhado” com a ditadura, mesmo que fosse da “direita liberal” iria, por certo, ter problemas.

Poderia, aqui, contar casos que se passaram comigo, mas não devo pessoalizar. Na altura, eu era um miúdo, mas mesmo assim, fiquei a saber o que era a censura.

Recordamos que em 1928, foi instituído, em Portugal, um regime de censura prévia e que o mesmo, durante o Estado Novo, foi sempre muito ativo. Era o chamado “lápis azul”. Já com Marcelo Caetano houve uma ligeira melhoria.

É sabido que os homens da Censura eram vastas vezes, pouco inteligentes. É que os nomes referidos no texto, nomeadamente, o Dr. Luciano Guerra (sacerdote), não era, propriamente um homem de esquerda, o mesmo sucedendo com o riomaiorense João Lope!. Enfim, outros tempos, outras realidades que não devemos esquecer.

Só para finalizar, direi que o Jornal da Marinha Grande, ainda, existe!

Por João Maurício


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