Periodicidade: Diária

7/7/2022

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INÊS HENRIQUES VÍTIMA DE ASSÉDIO SEXUAL DURANTE TREINO EM RIO MAIOR


A marchadora olímpica Inês Henriques denunciou uma grave situação que lhe aconteceu ontem, 25 de abril, na Estrada da Caniceira, em Rio Maior, local onde diz treinar há mais de 30 anos.

“Pensei bastante se devia ou não partilhar a situação que vivi, mas, como foi grave, é um crime e como mulher não me devo calar”, revelou a marchadora riomaiorense, que acrescenta: “Nenhuma mulher, se deve calar perante uma situação de assédio sexual, seja de que forma for”.

Inês Henriques passou de seguida a descrever o triste acontecimento: “Normalmente quando o estádio está fechado, sigo diretamente para a estrada de Caniceira. Faço o aquecimento e de seguida vou marchar. Hoje, fui um pouco mais cedo, para estar pronta, e começar a marchar quando o meu treinador Jorge Miguel chegasse. Quando estacionei o meu carro, vi uma senhora e um senhor um pouco mais a trás, ambos a caminhar. Tudo normal! Fechei o carro e fui fazer a minha corrida de aquecimento. Ainda vi novamente o senhor, voltei ao carro. Estava a fazer os meus exercícios, quando o mesmo indivíduo de raça negra com mais de um metro e noventa, passou novamente por mim”.

A atleta, que por norma diz ser simpática com toda as pessoas, deu os bons dias. “Ele olhou, parou e perguntou-me se era atleta. Respondi que sim e estávamos a ter uma conversa circunstancial, senti que se estava a aproximar muito de mim e afastei-me e continuei a preparar-me para o meu treino. Abri o carro, para tirar as sapatilhas e quando olho para ele, isto tudo em menos de 2 ou 3 minutos, o indivíduo já estava a exibir o pénis”, relata.


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Prosseguindo, Inês Henriques diz ter ficado uns segundos a digerir o que se estava a passar ali, “posteriormente reagi imediatamente, com palavras agressivas e que estava a fazer o meu treino e não admitia tal falta de respeito e que se fosse embora dali”, acrescentando que “felizmente a distância entre nós era alguma e ele não avançou e foi-se embora”.

A atleta revela ainda que nunca uma situação daquelas lhe tinha acontecido, “piropos às vezes acontecem, não gosto! Porque estou a fazer o meu trabalho e gosto de ser respeitada, mas infelizmente tornou-se uma coisa banal, mas uma situação destas é de deixar-nos apreensivas e com medo. E se nos tira a nossa tranquilidade tem que ser denunciada”.

A concluir, Inês Henriques diz ter informado a GNR da situação, “como não sei quem é o indivíduo só o posso identificar se o ver novamente”, realça, dizendo que divulga esta situação também “para alertar outras pessoas a terem cuidado”.

A marchadora de 41 anos de idade, residente em Rio Maior, foi campeã da Europa em Berlim2018 e do mundo em Londres2017, nos 50 quilómetros marcha.


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