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FALECEU DE MORTE SÚBITA NA SUA RESIDÊNCIA O AGRICULTOR LUÍS MADEIRA


Artigo de Joaquim Nazaré Gomes

Para que a memória não se apague, Luís Madeira foi um dos primeiros agricultores a tomar conhecimento de uma circular vinda da Liga dos pequenos e médios agricultores, de Alpiarça afetos ao Partido Comunista, a marcar uma reunião (ocupação) do grémio da lavoura de Rio Maior, para o dia 13 de julho de 1975. Nessa mesma noite correu a dar a notícia para que os agricultores se mobilizassem para a porta do referido grémio, a fim de impedirem a sua ocupação como na realidade aconteceu.

Agricultor respeitado, interveio em vários plenários já no criado movimento de agricultores. Foi um dos fundadores da Associação dos Produtores Agrícolas da Região de Rio Maior, cuja escritura foi lavrada a 13 de dezembro de 1974 e também da CAP, cuja escritura se realizou no cartório do Concelho a 22 de janeiro de 1976. Nas horas difíceis para os agricultores e para os portugueses em geral, esteve sempre na linha da frente na defesa da agricultura nacional.

Foi nomeado e esteve presente numa comissão de 4 agricultores presidida pelo Engenheiro Casqueiro chamada a Belém, ao Concelho da Revolução, para discutir as reivindicações dos agricultores na noite de 24 de novembro desse mesmo ano.

Como descreve Meira Burguete no seu livro “O Caso De Rio Maior”, foi “a maior multidão desde sempre, em Rio Maior: mais de 60.000 agricultores estiveram no plenário nacional dos agricultores”. Nesse mesmo dia 14 de dezembro de 1975 interveio no comício o Sr. Luís Madeira, pequeno agricultor de Arruda dos Pisões (Rio Maior) que “prosseguiu os ataques à Reforma Agrária e ao ministro Lopes Cardoso afirmando a certa altura: “Como todos sabem, muitos roubos têm sido feitos aos agricultores, deixando-os na miséria e lançando-os na escravidão e até roubando-lhes a própria vida.” E mais à frente: “Onde estão os verdadeiros homens que querem continuar a ser Portugueses e querem defender o povo Português da miséria, da fome e da desgraça? Estamos aqui para dizer “não” àqueles que querem vender Portugal!

Não queremos ser russos, chineses ou cubanos. Queremos ajudar a construir uma Reforma Agrária que garanta a todos o direito ao pão como uma obrigação social e não como um favor da caridade. Mais à frente e a terminar disse: É preciso que o Concelho da Revolução saiba que os agricultores não lutam contra o governo, lutarão sim, contra o ministério da agricultura se ele não atender aos anseios dos agricultores.”

5 de março de 2020

Nazaré Gomes

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Periodicidade: Diária

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