Periodicidade: Diária

6/30/2022

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AUTOR RIOMAIORENSE RUI GERMANO LANÇA NOVO LIVRO


O espaço Beleza Teatro na Avenida Paulo VI, em Rio Maior, recebe na próxima quarta-feira, dia 8 de dezembro (feriado), pelas 16h00, a apresentação do novo livro do autor riomaiorense Rui Germano, intitulado “Fecha os Olhos”.

"Fecha os Olhos", uma peça que virou livro numa publicação da Giostri Editora, terá a apresentação de Silvia Barros e contará, como não podia deixar de ser, com a presença do autor.

Rui Germano - Encenador e dramaturgo, é estudante de mestrado em Teatro e Comunidade pela Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa. Formado em Direito pela Universidade Autónoma de Lisboa, iniciou a sua carreira no teatro, nas oficinas livres de teatro da Cia. de Teatro Os Satyros, nos anos 1990, também em Lisboa.

A partir de 2005, em Rio Maior, inicia as suas pesquisas com Teatro Comunitário, fundando em 2006 o grupo Quem Não Tem Cão – Oficina de Artistas, onde escreve e dirige os espetáculos “Cinco Mulheres, Uma Travesti e o Namorado de Uma Delas”, “Azul”, “Bairro Solidão”, “Amor Mau” e “Rosa Esperança – Projeto Mulheres e o Cancro da Mama”, que percorreu Portugal por cinco anos, entre outros tantos trabalhos.

Em 2012 frequenta as oficinas de Direção e Dramaturgia na SP Escola de Teatro, em São Paulo. Em 2015 funda a Associação A Beleza das Pequenas Coisas e cria o coletivo RG – Projeto de Teatro Comunitário, através do qual concebe as peças “Ninguém Nasceu Para Ficar Sozinho“, “Todo o Homem Devia Ter uma Amante”, “Blue Revisitado” “A vida Não Chega”, “Fecha os Olhos” e “Esta é a nossa Casa”.

Desde 2019 é professor convidado da MT Escola de Teatro em Cuiabá, em Mato Grosso, e da SP Escola de Teatro, em São Paulo.


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Um drama social visto pela ótica alegórica

A dramaturgia de Rui Germano aflora, em primeiro lugar, de sua sensibilidade social. Desde 2005, o autor e diretor trabalha com teatro comunitário, sobretudo nas cidades de Lisboa e Rio Maior, embora tenha apresentado seus espetáculos por todo o país. O desejo pela escuta, o interesse pelas vivências singulares das pessoas diversas que participam de suas oficinas e projetos de encenação, a vontade genuína de transformar esse material em teatro, enfim, o favorecem em seus objetivos.

“Fecha os Olhos” proporciona já no título uma curiosidade aos leitores brasileiros, pela conjugação do verbo, mais tarde explicada indiretamente, pelo próprio texto, em sua dimensão poética. Algumas belíssimas idiossincrasias da língua-mãe estão lá, com notas de rodapé explicativas, nos casos necessários. Todavia o idioma que Rui Germano fala é universal, pois é teatro e também drama humano, linguagens universais.

O ritmo do texto, a dicção que o leitor poderá sentir (mesmo sem ouvir a voz dos atores) e a sintaxe de sua poesia dramática são inconfundíveis, e o colocam como potente nome na dramaturgia portuguesa de hoje. A forma como molda histórias tão heterogêneas – tipologias que passam por patriarcas abusadores, ativistas em defesa dos animais que se revelam vigaristas, esposas oprimidas, prostitutas sonhadoras, secretárias verborrágicas ou pessoas com deficiência em busca de prazer – e a costura narrativa para todas as tramas são inconfundíveis.

Abordar temas como misoginia, masculinidade tóxica e preconceitos sociais, especialmente no contexto contemporâneo, exige tato e intelectualidade, de modo a não reproduzir e reverberar gratuitamente, mesmo que na forma de crítica, ações moral e legalmente condenáveis. O trabalho de Rui Germano, no entanto, toca essas questões com tal delicadeza que se percebe com clareza a profundidade com que cada um desses tópicos é abordado.

Esse realismo escancarado pelas falas e rubricas, contudo, comporta também algo de alegoria, exposta nos nomes e falas arquetípicas de alguns personagens como Dr. Severo, Felicidade, Esperança e Zarolha, entre outros, metáforas que revelam outras leituras sob a superfície de desolamento – sob a qual destaca-se ainda uma camada mítica, neste Bairro da Sereia onde temos um Ulisses enfeitiçado por Mar/Honey, a virtuose do piano comparada a uma deusa, o anjo melancólico...

A edição em livro para “Fecha os Olhos” proporciona a possibilidade de nos aproximarmos mais dessa língua e dos costumes portugueses, às vezes tão distintos dos brasileiros, embora mais próximos do que possamos supor.

Rui Germano pratica um teatro que tangencia a micro-história, tanto em pressupostos quanto em metodologia, revelando histórias antes invisíveis – ou cobertas por pálpebras de ferro –, mas que agora conquistam sua devida visibilidade.

Marcio Aquiles - Escritor e crítico de teatro


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