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A SOCIEDADE IMPESSOAL!


Houve tempos que a solidariedade não era palavra dita ou escrita, mas praticada. Não era palavra vã e muitos menos paga. Nesses tempos sempre que ocorria uma desgraça havia uma ajuda espontânea de todos aqueles que sabiam que lhes podia acontecer o mesmo. A hipocrisia dos tempos correntes, ainda vinha longe, tão longe que nem sequer a podíamos imaginar.

Se ocorria um incêndio os vizinhos mobilizavam-se para ajudar com os meios que tinham à mão, desde a água do poço tirada a baldes até às enxadas rasas que limpavam terreno para impedir o avanço das chamas. Hoje a primeira coisa que os vizinhos fariam era puxar do telemóvel para fazer vídeos e enviar para a comunicação social.

Se ocorria uma tragédia humana, em que por acidente ou morte natural alguém perdia a vida, toda a comunidade se mobilizava em torno dos que sofriam a perda irreparável. Hoje num caso semelhante correr-se-ia o risco de chegar primeiro uma equipa de reportagem perguntando se tinha sido crime ou acidente, se tinha seguro ou havia culpados, do que uma viatura de emergência.

Se alguém perdia casa e haveres, de imediato a comunidade se juntava e cuidava dos seus. Não havia nenhuma hipocrisia e era mesmo o sentimento de “hoje por ti, amanhã por mim”. E num ápice se arranjava uma cama, uma mesa, uns cobertores ou mesmo uma dependência onde pudessem ficar até conseguirem retomar à normalidade possível.


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Hoje em qualquer dos exemplos apontados chegaria, com maior ou menor rapidez e aparato, uma mão cheia de carros de luzes horripilantes, um cenário de “guerra” ficaria montado, antenas parabólicas atiradas ao desconhecido, microfones apontados aos gritos lancinantes da desgraça, para depois aparecer alguém, geralmente bem patenteado, a fazer a resenha da coisa: X de viaturas de socorro, Y de operacionais, W de vítimas drenadas para o hospital. E se havia mortes a inevitável frase: R de vítimas mortais a lamentar.

Complementarmente anunciaria que o apoio psicológico estava a caminho e que caso houvesse necessidade, seriam os sobreviventes encaminhados para a pensão Q ou Z. Entretanto os projetores desligavam-se, as luzes azuis iam-se desvanecendo, mas o sofrimento doloroso, silencioso, solitário permanecia. Alguns vizinhos que tinham vindo à janela, fechavam-nas rapidamente não vá alguém ter a ousadia de pedir alguma coisa…

Artigo de Opinião de Edgard Carvalho Gomes


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