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A MATANÇA DOS INDEFESOS


O Covid-19 veio trazer à evidência a matança dos indefesos. Uma espécie de eutanásia mais requintada. Ao longo de décadas, por todo o país, foram-se criando, equipamentos de apoio à terceira idade. Lindo termo para velhos, mas que na prática eram pesos/estorvos para um estilo de vida moderno, ou modernaço. Como em todos os negócios, havendo clientes, a atividade floresce. E como sempre havia para todos os preços e gostos. Era, sem sombra de dúvida um negócio florescente até há meses atrás. Mas eis que de repente tudo muda, como por uma qualquer praga bíblica, um vírus qualquer que ao que parece ainda por aí como as pombinhas da cat’rina veio trazer à evidencias várias coisas sobre a sociedade em que vivemos.

1 – A sociedade, esta sociedade do prazer imediato não é para velhos. Os velhos estavam acantonados em lares, residências, abrigos ou casas particulares, alçadas a solução mais próxima do ambiente familiar. O que importava era um lavar de consciência, um “saber que os pais, avós ou parentes estavam bem”, como se alguém pudesse estar bem, enquanto tivesse algum conhecimento sobre a sua condição de acantonado!

2 – Com o envelhecimento geral da população e a egoísta não reposição de gerações, as dificuldades em recrutar pessoas para TRABALHAR nestas, vamos chamar-lhe instituições, foi sendo cada vez mais difícil e logo a exigência na admissão de pessoal foi baixando drasticamente. Isto aliás não é exclusivo desta atividade, mas de todas as atividades onde é preciso sujar as mãos. Assim condições como a vocação, a estabilidade emocional, a responsabilidade foram sendo cada vez relegadas para plano secundário, com as consequências inerentes na prestação dos cuidados aos idosos indefesos.


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3 – O prolongamento da esperança média de vida, tão apregoado e tão usado como triunfo do “estado social” afinal não passa de um prolongamento do sofrimento, em que as pessoas não interessam nada, mas os números interessam muito. Interessa apregoar, mas não interessa cuidar; interessa apregoar que a maioria das mortes é “dos oitenta para cima”, mas não interessa saber que morreu no mais perfeito abandono, só “porque já não contava”. Quantos de nós não ouvimos, numa qualquer sala de espera de urgência, gritar por um qualquer nome sem ouvir resposta, pelo facto da pessoa já nem ouvir...ou ouvindo a sua aflição se tornar ainda maior.

4 – Esta é também a sociedade da ingratidão, da tentativa de reescrever a história, da ausência de saber de onde vieram e para onde vão. As ancoras que são os valores de qualquer sociedade há muito foram perdidas, e esta não passa de um enorme rebanho que segue a caminho do matadouro/extinção com grandoladas em pano de fundo. Esta é também a sociedade onde as vítimas são menos importantes que os assassinos, onde os ladrões são mais protegidos que os policias e o pior de tudo: o estado é mais importante que as pessoas!


Artigo de Opinião de Edgard Carvalho Gomes


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