• comercioenoticias

25 DE NOVEMBRO: 44 ANOS DEPOIS



Porque é que o país não comemora o 25 de novembro?

Porque é que a maior parte dos jornalistas e historiadores não fala do 25 de novembro?

Uma grande parte dos portugueses nada sabe do 25 de novembro, principalmente os que eram adolescentes à época. Eis, em resumo do que se passou, contado na primeira pessoa.

Tudo começou com o golpe de 11 de março de 1975, com o Conselho da Revolução presidido pelo Marechal Costa Gomes e com a nomeação (e não eleição) para 1.º ministro, do General Vasco Gonçalves.

Chegado ao poder, permitiu que a máquina comunista dirigida por Moscovo se infiltrasse na Administração Pública e na comunicação social, ao mesmo tempo que os bancos e seguros eram nacionalizados, as maiores empresas privadas e estatais eram ocupadas, e, em nome da Reforma Agrária, multiplicavam-se as ocupações das herdades no Alentejo e no Ribatejo.

Os ocupantes apoderavam-se das herdades, expulsando os seus legítimos proprietários, e de todas as estruturas agrícolas, incluindo os Grémios da Lavoura, consomando assim uma ditadura de esquerda em Portugal.

Nessa onda de ocupações, foi marcada para o dia 13 de Julho de 1975 (4 meses após o 11 de março), a tomada do Grémio da Lavoura em Rio Maior.

Dois agricultores tiveram conhecimento na véspera, passaram palavra e, à hora marcada para a ocupação, estavam mais de 300 homens da terra para o impedir.

Começaram a chegar os ocupantes vindos do Sul (alguns armados com caçadeiras) que ao se depararem com o aparato provocaram grande agitação: houve escaramuças, agressões físicas e foram destruídas as sedes do Partido Comunista e da Frente Socialista.

Aos agricultores juntou-se a população da cidade e das localidades vizinhas, e à noite, desse mesmo dia 13 de julho, já eram milhares de pessoas revoltadas com o que se passava no país.

Tais acontecimentos foram retratados insultuosamente pela imprensa afeta ao Partido Comunista, o que levou a multidão a aglomerar-se em Rio Maior, junto à Câmara Municipal, durante mais de 3 semanas, para destruir os jornais e impedir que os veículos que os transportavam seguissem para Norte.

O descontentamento alastrou-se desde o Oeste ao Norte do país, onde as sedes do Partido Comunista foram todas destruídas.

Neste contexto, os agricultores organizaram-se num secretariado nacional, com sede em Rio Maior, composto por associações de agricultores de todo o país.

Sucederam-se plenários de agricultores ao nível nacional, reclamando das políticas que estavam a ser seguidas, principalmente quanto à Lei 406º/A das expropriações, mais conhecida como a “Lei da Reforma Agrária”.

Foi nesta conjuntura que os agricultores marcaram um plenário, já com a conivência de algumas chefias militares moderadas, para o dia 24 de novembro em Rio Maior, com a afluência de mais de 50.000 agricultores vindos de todo o país.

Foram feitas várias exigências ao Governo e apresentado um caderno reivindicativo com 13 pontos e foi ainda aprovado o corte das estradas, principalmente a estrada que ligava Lisboa ao Porto entre outros acessos e também, mais tarde, as linhas férreas entre Santarém e Oeste.

É neste ambiente, já noite dentro, que o Conselho de Revolução manda chamar a Belém uma representação de agricultores da qual fiz parte, presidida pelo Saudoso Engenheiro José Manuel Casqueiro, na qualidade de Secretário Geral do Secretariado dos agricultores.

A reunião foi dura! E prolongou-se até as 6h da manhã, mas o Conselho da Revolução acabou por aceitar a maior parte das nossas reivindicações, na condição de mandarmos levantar as barricadas.

Estou certo de que foi a força dos agricultores que deu o impulso que faltava ao movimento que existia dentro das Forças Armadas para que o 25 de novembro fosse uma realidade, e pudesse restituir a liberdade e a democracia aos portugueses.

Importa salientar o papel do general Ramalho Eanes, entre outros, e do saudoso e grande amigo Coronel Jaime Neves, com quem tive o privilégio de privar muito de perto.

Tombaram nesse dia, 2 dos seus oficiais, junto à escola militar da Ajuda. Mortos que ele chorou até ao fim dos seus dias, e disso sou testemunha. Eram eles, Furriel Comando Santos Pires e o Tenente Comando Oliveira Coimbra que deram a vida pela pátria, para que em Portugal pudéssemos viver em liberdade.

O país esqueceu-os! Rio Maior não! Os seus nomes estão gravados em 2 ruas da cidade.

Presto-lhes aqui, a eles, e ao meu amigo e patriota Jaime Neves, a minha homenagem!

Joaquim Nazaré Gomes

994 visualizações

1/9

1/9

1/8

1/6

onde comer

Periodicidade: Diária

11/29/2020

coronavirus.jpg
bannered.png

©2020 por Comércio & Notícias